Pessoas: Um custo!

Ao longo desta edição da revista, tivemos oportunidade perceber os paradigmas da gestão de Recursos Humanos que decorrem da própria evolução histórica da humanidade nos últimos séculos. Por outro lado, demos-lhe a conhecer uma perspetiva positiva acerca deste tema: como tornar as pessoas um benefício?
Porém, se até agora não o convencemos das mais-valias de tornar a sua equipa um benefício (tenha esta 5 pessoas ou quinhentas), então vamos voltar ao início: as pessoas são um custo! Penso que esta ideia é fácil de interiorizar por todos: Administradores, Gerentes, Diretores de RH, Chefes de Equipa, Encarregados,… As pessoas custam-nos Vencimento Base, Subsídio de Férias, de Natal, Segurança Social, Consulta de Medicina no Trabalho, Equipamentos de Proteção Individual, Formação e (em muitos casos) Diuturnidades, Subsídio de Turno, Horário Noturno, Abono de Caixa, Subsídio de Refeição,…
Enfim… concluímos, portanto, em conjunto que as pessoas são um custo! Mas podemos viver sem elas? E ainda que pudéssemos: queríamos?

Atrevo-me a pensar que nos momentos em que as mesmas nos “desiludem”, em geral responderíamos à segunda questão com um SIM(!) muito vincado. Mas, porque é que as pessoas nos desiludem? Se calhar porque desde início olhamos para elas como um custo e não como um benefício. Quando contratamos fazemos contas ao que nos vai custar, mas, objetivamente, estimamos o retorno que precisamos dela? E quando a desafiamos a trabalhar connosco isso é-lhe comunicado? A pessoa que encontrámos é a que pretendíamos efetivamente, ou limitámo-nos a escolher a “menos má” porque não tínhamos tempo a perder? Como é que podemos iludir-nos com uma equipa que não perdemos minimamente o tempo a escolher? Não é natural que esta depois nos desiluda?
Pensemos no caso do futebol, em que todos somos treinadores de bancada e todos faríamos escolhas melhores do que o treinador, e mais: todos faríamos melhor do que os próprios jogadores! Ora, passando da comparação à realidade, não é o mesmo que fazemos na nossa empresa? Quais treinadores de bancada, não investimos um minuto do nosso tempo a selecionar a melhor pessoa para a posição certa, não procuramos perceber sequer se aquela é a posição em que quer “jogar”, não treinamos a pessoa, não percebemos se está física e psicologicamente apta para o seu lugar, atiramo-la para o campo e dizemos ao colega do lado “Tens que estar atento ao que faz e vai-lhe explicando umas coisas. Se não servir vem outra”.

Pois é… Depois queixamo-nos que gastamos dinheiro em Medicina no Trabalho desnecessariamente: mas já tentámos perceber o objetivo por detrás da obrigação legal? Tentámos escolher o Médico mais adequado? Exigimos-lhe que cuidasse devidamente das nossas pessoas e, por isso da nossa organização?
E a formação? Pensemos em todo o dinheiro que já investimos em formação: qual foi o retorno gerado? O que é que a equipa evoluiu? Então para que é que fizemos aquela formação? Foi apenas para “cumprir obrigação legal”? Que estranho que não tenha resultado…
E como é que escolhemos aquele chefe de equipa? Era o mais rigoroso? Era o melhor na função? Não se distraía na conversa com o colega do lado? Nem sequer dava conversa ao colega do lado? Nem interagia com a equipa, sendo sempre reservado? Que estranho que não tenha resultado num bom líder…

Sugiro-lhe que repense na posição que pretende ter na sua organização. Depois que pense quais as equipas que quer para si. Finalmente olhe para a sua realidade, por comparação ao mundo ideal que pretende e pense quais os passos a dar para chegar de uma ao outro. Quer ajuda? Sugiro-lhe que volte atrás, ao artigo da Marília Santo… acredite que tem lá boas pistas para começar!

SUSANA SANTOS
COO&PARTNER

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