Comportamentos de Cidadania Organizacional

Uma das grandes dificuldades que as Organizações têm de ultrapassar é a articulação entre o desempenho da função e as acções espontâneas e inovadoras que ultrapassam as descrições de funções.

A pressão e controlo sobre o desempenho da função, podem estrangular a iniciativa e inovação, factores decisivos para o funcionamento eficaz da organização.

A iniciativa dos trabalhadores pode ser fomentada e ter resultados muito interessantes.

A Comissão de Trabalhadores da Eusgter/Frismag é um exemplo disso mesmo.

Pedimos a opinião às duas partes envolvidas – organização e trabalhadores – sobre a importância dos Comportamentos de Cidadania Organizacional e o seu impacto.

Partilhamos infra dois interessantes testemunhos:

ENG.º JOÃO CACHATRA – GERENTE E DIRECTOR GERAL:

A Eugster & Frismag, Electrodomésticos é uma unidade de produção, integrada num Grupo internacional, com sede na Suíça de língua alemã, que iniciou a sua actividade, como fabricante OEM de pequenos electrodomésticos, no Concelho de Torres Vedras, há cerca de 25 anos.
Desde o primeiro momento que a empresa teve consciência da importância primordial, para o seu sucesso, do nível motivacional das pessoas que a constituem.
Naturalmente que, no ambiente complexo e extremamente exigente da actividade empresarial em geral e industrial em particular, dos dias de hoje, essa consciência foi sendo, cada vez mais, reforçada.
Um dos elementos chave para essa motivação é a identificação dos colaboradores com a Cultura da empresa, ao reconhecerem que nela existirem factores diferenciadores que, por um lado, alimentam a sua satisfação por aí exercerem o seu dia-a-dia profissional, e que, por outro, os torna orgulhosos pelo reconhecimento externo que é concedido à empresa, o qual lhes é extensível como elementos integrantes da mesma, em função do seu sucesso e das suas boas práticas empresariais, incluindo, de forma inequívoca, as ligadas ao exercício da Responsabilidade Social e promoção da Cidadania Organizacional.

Ainda que não de uma forma absolutamente sistematizada, têm sido, nos anos mais recentes, consolidadas, cada vez mais, acções nesta última área de intervenção.

Destacam-se:

  • A melhoria profunda das condições de trabalho, em termos de infra-estruturas e de meios, com especial ênfase na gestão dos elementos de Saúde e Segurança;
  • A formação contínua, em todas as áreas técnicas ligadas aos processos da empresa, mas também em áreas de valorização pessoal. Neste eixo da formação, merecem especial referência as abordagens na área comportamental, incluindo a gestão de conflitos;
  • As primeiras experiências em programas de team building;
  • O apoio a actividades que visam a melhoria da saúde física e mental dos colaboradores, nomeadamente a facilitação da prática, nas instalações da empresa, de aulas de ginástica e dança;
  • A elevada participação de colaboradores da empresa, com o apoio desta, no maior acontecimento cultural da cidade e do concelho que é o famoso “Carnaval de Torres”;
  • O envolvimento dos colaboradores em programas de apoio social, a instituições e particulares. Assume aqui uma especial relevância a já tradicional Dádiva de Sangue, promovida duas vezes por ano, sempre com um elevado nível de adesão;
  • A colaboração com a instituição local de apoio a pessoas com deficiência (APECI) que incluiu a integração nos quadros da empresa de dois elementos dela oriundos, os quais têm um acompanhamento dedicado de colaboradores da E&F que se assumem como “tutores” internos;
  • A forma cooperante e interessada como, desde há vários anos, a empresa tem interagido com as comissões mais representativas dos trabalhadores (Comissão de Saúde, Higiene e Segurança e Comissão de Trabalhadores) as quais, por sua vez, têm tido veículos do interesse da população laboral, na vida e na gestão da empresa.
  • Merece especial referência, o papel que a Comissão de Trabalhadores tem desempenhado, como motor de muitas das iniciativas de carácter social acima referidas (apoio a instituições e particulares, dádiva de sangue, actividades físicas) mas, igualmente, em actividades de interesse concreto para os trabalhadores da empresa, sendo um parceiro de primeira linha no programa de apoio ao início do ano escolar, concretizado através da atribuição de “cheques creche” e “cheques estudante”;
  • Um último elemento relevante poderá ser a referência à realização de dois tradicionais convívios, destinados a reforçar a unidade dos colaboradores e a Cultura da empresa: o chamado “Convívio de Verão”, realizado imediatamente antes do início da interrupção de actividade que têm lugar no final de Julho, o qual é, igualmente, uma organização habitual da Comissão de Trabalhadores e a sempre muito aguardada e celebrada Festa de Natal que tem sempre contado com elevadíssimas taxas de adesão e que é um espaço, não só de convívio, mas de uma participação global, muito activa e criativa.

 

SÍLVIA PINELA – COMISSÃO DE TRABALHADORES:

1. O que motiva os comportamentos de cidadania organizacional?

O que nos motiva é a possibilidade de criar acções que promovem ajuda/acção social dentro da Empresa. Acções que proporcionam motivação, tanto a quem planeia como a quem irá usufruir das mesmas. Criando assim um clima de compreensão e satisfação geral.
Por este motivo, há uma predisposição “voluntária” dos membros desta Comissão de Trabalhadores para a criação de acções sociais que promovem a assistência aos funcionários. Acções estas, partilhadas pela direcção da empresa que tem sido o nosso grande parceiro na sustentabilidade das mesmas.

2. Que contributos trazem para os trabalhadores e para a organização?

Os funcionários sentem que há uma preocupação por parte da Comissão de Trabalhadores e da Empresa em ser útil nos momentos mais difíceis.
Entre vários programas criados, destacamos o programa de Apoio às Férias Escolares e do Apoio aos Livros Escolares, que foram muito bem recebidos pelos funcionários.
São programas não vinculativos da empresa e que funcionam através da Comissão de Trabalhadores por meio de negociação.

O contributo para ambas as partes, é significativamente elevado:
– Existe uma harmonia laboral e um clima de satisfação geral.
– A empresa enquanto instituição, sente o reconhecimento dos funcionários mas também da sociedade.

3. Como são percepcionados por cada um?

O sentimento dos membros da Comissão de Trabalhadores é de satisfação devido à possibilidade de fazer algo mais do que lidar só com questões de Legislação Laboral.”

 

Desta forma, e através destes dois testemunhos, percebemos claramente que os Comportamentos de Cidadania Organizacional trazem benefícios tangíveis e intangíveis quer à Organização, quer aos trabalhadores.

Nesse sentido, a estratégia de gestão de recursos humanos das Organizações, deve ser definida de modo a incentivar estes comportamentos e a evitar decisões e procedimentos que inibam os mesmos.

Esta situação adquire maior relevância nos projectos de gestão de desempenho. Especialmente, a avaliação de desempenho, deve ser estruturada e definida de forma a não estrangular esses comportamentos e, pelo contrário, o sistema deverá motiva-los, trazendo ganhos ao nível da motivação dos trabalhadores, e ao nível da produtividade da Organização.

Numa Organização, os trabalhadores assumem-se não só como funcionários, mas sobretudo, como Pessoas. Para que se desenvolvam de modo integral, e se sintam satisfeitos, motivados e realizados, devem poder demonstrar as suas capacidades de modo mais abrangente do que aquele que consta na sua descrição de funções, sentindo-se úteis e contribuindo com acções espontâneas para a Organização e para as equipas de trabalho, dentro e fora da mesma.

A vertente social é um importante factor de crescimento para ambas as partes.

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