Uma empresa uma visão – Arfai

Há 21 anos que directa ou indirectamente acompanhamos a cerâmica do barro branco – loiça utilitária e decorativa – e vemos os nossos clientes, muitas das empresas do sector, atravessarem altos e baixos.

Infelizmente, muitas encerraram portas.

Hoje várias das que sobreviveram estão a atravessar uma boa fase de inovação e valor acrescentado para os seus produtos, usufruindo do fervilhar de ideias e parcerias que só podem conduzir a bons resultados, a bem do sector e do país.

Um exemplo, reconhecida como a dinamizadora dessas parcerias, é a Arfai-IGM que nesta edição destacamos
nesta nova rubrica: uma empresa, uma visão.

1) Há quanto tempo se encontra a liderar o projecto IGM – Arfai?
– A IGM foi constituída em 1992 e em 1995 com a constituição da Arfai assumi a liderança deste projecto, passando a CEO em 2009.

2) Quando começou este desafio, sentia-se preparada para tal?
– Não me sentia nada preparada pois era muito jovem e o facto de ser mulher não ajudava. Pois o “mundo” da Cerâmica era gerido por homens. Na altura sentia que tinha 2 handicaps: ser Mulher e a falta de formação académica.

3) Qual é a evolução da sua forma de liderar desde o início até ao dia de hoje?
– Iniciei por onde todas as pessoas começam, verificar a qualidade dos produtos, receber a mercadoria, a facturação, os pagamentos, fazia de tudo um pouco.
Acerca de uma década, percebi que o melhor em mim é gerir pessoas, fui percebendo isso. O relacionamento com os colaboradores é muito importante.
Inclusive a Arfai já recebeu um prémio a nível nacional por integrar colaboradores com deficiência, é muito importante apostar nas pessoas.
A forma como lido com as pessoas é o sucesso da empresa e da minha liderança.

4) O que é que teria feito diferente?
– Não mudava nada. Os erros contribuem para a melhoria.

5) Pode dar-nos um exemplo de situação em que tenha sentido que foi uma inspiração para a sua equipa?
– É difícil responder a isso, o ideal seria perguntar-lhes directamente à equipa, porque até hoje estão todos comigo. Mas talvez o grande marco foi em 2009 quando a empresa passou por grandes dificuldades. Não deixei de acreditar e os colaboradores ao verem a minha perseverança uniram-se e não “baixaram os braços”. As dificuldades uniram todos e talvez tenha sido isso A Inspiração.

6) O que é imprescindível a um empreendedor?
– Ter Visão; inventar o amanhã; não deixar de sonhar, mas ter os pés assentes na terra. É importante ter capacidade de improviso, levando sempre a equipa a acreditar em torno de um projecto.
É essencial motivar a equipa e para isso estar atento às pessoas, escutando-as, e fazer com elas participar em tudo.

7) Quais são os grandes desafios que se lhe colocam?
– Tenho uma equipa e tenho objectivos comerciais.
Muitos dos nossos problemas têm a ver com a capacidade de produção, por vezes esta relativa ao espeço físico (instalações da fábrica), mas simultaneamente tenho um grande desafio que têm a ver com o crescimento. Por vezes com dificuldade em apostar em mercados novos mas tenho de o fazer.
Uma perguntar que me faço constantemente: crescer ou estagnar? Se a empresa tiver condições de sustentar o financiamento irá crescer.

8) Tem experiência de formação para executivos?
– Aos 19 anos comecei a trabalhar na Arfai, não tenho qualquer formação académica. Vou tirando alguns cursos no Cencal, na D. Dinis Business School, como o de “Finanças para não financeiros”. Mas tenho ainda como projecto de vida tirar um curso académico.

9) E qual seria o curso/área que gostava de se especializar?
– Inicialmente pensei em Direito, mas com a vida profissional o gosto pelo Marketing tem sido uma tendência, e seria essa a área.

10) Qual foi a experiência mais marcante para si enquanto líder?
– O ano de 2009, sem dúvida. Mesmo sabendo a dificuldade que seria de reerguer a empresa não deixei de acreditar. Sabia que ia ser difícil mas não podia passar isso para os meus colaboradores.

11) De que necessitam os líderes em Portugal para serem mais bem-sucedidos?
– O Sucesso é ter visão mas simultaneamente uma boa equipa, e estabelecer uma relação de confiança com os clientes.

12) Quais são os principais desafios do sector da cerâmica actualmente?
– A dimensão das empresas, principalmente. O estarmos em permanente inovação, não podemos parar. É também um desafio transmitir às pessoas que o sector está bem e que é um sector de moda, mas com futuro.
Os recursos humanos são também um desafio, encontrar pessoas que tenham qualificação nesta área é complicado. Não há jovens que queiram entrar neste mundo pois pensam que só trabalha aqui quem não arranja mais nada.
Os custos com os recursos energéticos são outro, o custo do gás natural é bastante elevado. Não existem apoios para as empresas relativamente aos recursos energéticos. Acabamos por ajudar o país na exportação, pois todo o nosso produto é exportado e não temos qualquer tipo de apoios por parte do Estado.

13) Em que medida é que os RH são a resposta ou a solução para os problemas que as empresas atravessam?
– Perante desafios que nos são colocados, ou até problemas em que é necessário encontrar solução, a resposta é sempre dada pelos Recursos Humanos. Sem dúvida que eles são a resposta.

Entrevistada: Carla Moreira | Arfai – IGM

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