Atualmente, os parâmetros aferidores da responsabilidade corporativa vão muito além das obrigações decorrentes da aplicação da Lei. As mais recentes inovações legislativas, associadas à emergência de novos fatores de responsabilização social, relacionados com preocupações de índole ambiental e social, alargaram o leque e a abrangência destas obrigações, colocando a Ética no âmago da ação.
A preocupação com estes tópicos acaba por ter uma consequência positiva sobre as próprias organizações, não apenas porque garante o cumprimento de obrigações legais, mas também pelos efeitos positivos ao nível da promoção da marca e valorização da reputação da empresa, que acaba por colher os frutos da semente lançada em prol da sociedade e do meio ambiente.
O CSR (Corporate social responsibility), cujo significado pode ser livremente traduzido como Responsabilidade Social Corporativa, funciona como um mecanismo de autorregulação corporativa. Materializando este parâmetro, as empresas devem tomar decisões baseadas não apenas no lucro, mas também tendo em consideração padrões éticos, de sustentabilidade e responsabilidade, centrando a sua atuação no impacto positivo que as suas opções possam ter nos funcionários, nos consumidores e na sociedade. Para corporizar esta tese, foi desenvolvida pelo britânico John Elkington, a teoria triple bottom line, (resultado final triplo, em tradução livre), que advoga a ideia de que o modelo de negócio de uma empresa deve girar em torno dos três P`s: people (pessoas), planet (planeta) e profit (lucro).
A CSR pode ser encarada como um mecanismo autorregulatório, assumindo também, no âmbito da Ética, um papel fulcral no processo de definição da Cultura empresarial. Ainda que não conheçam esta nomenclatura, a maioria das organizações já denota uma enorme preocupação com estes valores. A influência visível desta temática está na relação com a comunidade, onde são cada vez mais notórias as exigências dos consumidores no que concerne ao cumprimento de padrões éticos consistentes, mas também no relacionamento com parceiros comerciais, que privilegiam interlocutores que também assumam a defesa destas bandeiras.
O escrutínio a que são sujeitas as organizações não oferece margem para retrocessos neste
domínio: é fulcral moldar a Cultura empresarial à evolução dos modelos éticos. Nenhuma organização pode excluir-se deste movimento que afeta todas as organizações, independentemente da dimensão, estrutura ou área de negócio. A responsabilidade corporativa tem preço e ignorá-la terá um custo elevado.
TIAGO COUTO
Jurista, HR Consultant